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A Leveza da Ordem: Encontrando paz em meio às demandas da maternidade

Atualizado: 9 de jun.

Quando falamos em ordem, muitas mães já sentem um certo peso apertar o coração. Parece que a palavra "ordem" carrega em si um som de cobrança inatingível. Pensamos imediatamente em planilhas, regras rígidas, relógios cronometrados e aquela sensação frustrante de que é impossível sustentar qualquer padrão elevado enquanto se educa filhos, viver em família e tentar dar conta de tudo.


Mas a verdade mais libertadora que eu aprendi na maternidade é que a verdadeira ordem não é sobre perfeição; é sobre paz. É sobre colocar cada coisa no seu lugar possível, na hora possível, dentro da realidade que se vive.


O silêncio estrondoso da desordem

A desordem cansa. E esse cansaço, acredite, raramente começa na sala bagunçada com os brinquedos espalhados. Ele começa muito antes. Cansa a mente cheia, o dia sem direção, a sensação constante de estar atrasada em relação à própria vida, o deitar na cama pesando que "não fez nada" mesmo não tendo parado um minuto sequer. 


A desordem exterior acaba minando a nossa ordem interior. Onde há caos frequente nos ambientes, costuma haver também muita ansiedade no coração.


Entendendo a Alma do Problema: A Virtude da Ordem

Se olharmos para pensadores clássicos e leituras espirituais sólidas – e vale lembrar a reflexão belíssima trazida por autores como Francisco José de Almeida – veremos a ordem não como uma simples técnica de gestão de tempo, mas como uma virtude.


Uma virtude é uma força da alma. Leva a querer o bem, a ver o bem e a fazer o bem. Tratada assim, a ordem eleva a organização do nível doméstico para o nível do amor. Nós não ordenamos nossas vidas, nossas casas e nosso tempo para provar algo ou para tirar uma foto bonita para o Instagram. Nós exercemos a ordem porque amamos. 


A paz é a tranquilidade da ordem. Sem ela, perdemos a doçura e nos transformamos em "gerentes estressadas" da nossa própria casa.

A ordem nos ajuda a ter espaço mental e físico para estar com Deus, para sorrir para o marido, para olhar nos olhos dos nossos filhos. "Lugar para cada coisa, cada coisa em seu lugar" e "tempo para cada coisa" são princípios que servem à caridade. Como aponta a tradição cristã: a paz é a tranquilidade da ordem. Sem ela, perdemos a doçura e nos transformamos em "gerentes estressadas" da nossa própria casa.


Uma rota gentil e possível em 3 passos

A ordem, sendo uma virtude, deve ser cultivada aos poucos, como uma pequena planta. Ela começa de forma simples nas trincheiras da nossa casa todos os dias. 


Aqui estão alguns caminhos para trazer essa leveza para o seu lar hoje:


1. Escolha Prioridades: Nosso maior erro é tratar tudo com o mesmo grau de urgência. Precisamos aceitar o fato de que somos humanas e limitadas, e isso é maravilhoso. Nem tudo precisa ser feito hoje. Defina quais são as duas ou três coisas fundamentais que trarão paz à sua casa naquele dia específico, e faça as pazes com aquilo que ficará para trás.

2. Simplifique sempre que possível: A raiz de muita bagunça está no excesso. Nós, muitas vezes, fazemos muito mais do que o necessário, acumulamos mais objetos do que conseguimos cuidar e enchemos a agenda dos filhos mais do que o tolerável. Simplifique os brinquedos, as atividades, os cardápios. O menos traz respiro.

3. Crie pequenos ritmos: Esqueça (um pouco) os horários cravados do relógio. Com filhos na equação, os ponteiros são flexíveis. Confie nos ritmos. Uma rotina matinal suave, uma rotina para encerrar o dia. A mente humana e as crianças amam a previsibilidade. Você não precisa de regras militares, mas de faróis que iluminam o caminho e dão contorno ao seu dia.


A Maior de Todas as Regras: Aprender a Recomeçar

Acima de qualquer técnica doméstica, a virtude exige perseverança. E, na maternidade, perseverança se traduz no constante exercício de recomeçar.


Vai ter dia em que nada vai dar certo. Vai ter choro, pneu furado, leite fervendo que derrama, panela queimada, e bagunça voltando dez minutos depois de você guardar tudo. E está tudo certo. A paciência é a prova de fogo de que você está buscando amar, e não apenas limpar. 


A ordem não se constrói da noite para o dia. Ela nasce da constância heróica nas pequenas coisas de todos os dias. Ela nasce num coração que está buscando, sinceramente, viver melhor — um dia por vez, não através de saltos para a perfeição, mas de passos curtos na graça e no amor.


Porque sim, é perfeitamente possível viver a maternidade e a rotina do lar com mais leveza. O segredo? Deixar de tentar ser perfeita para, simplesmente, se dispor a servir com alegria a vida maravilhosa (e um pouquinho bagunçada) que está acontecendo bem agora, sob o seu teto.





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